segunda-feira, 15 de junho de 2026

A INSACIÁVEL NATUREZA DO ESCORPIÃO PARTE II:A DESLEALDADE DE BRANDÃO AO IMPEDIR A REELEIÇÃO DE MARCELO TAVARES NO TCE E TRAIR O EX-GOVERNADOR ZÉ REINALDO, SEU MESTRE E MENTOR NA POLÍTICA

Por Francisco Escórcio, ex-senador da República *

Já lembrei daquela velha fábula sobre um escorpião que pede carona a um sapo para atravessar um rio e mata ambos pelo meio do caminho. "Eu não pude evitar, é a minha natureza", diz o escorpião. Agora, vou relembrar de mais um episódio da política do Maranhão em que o governador Carlos Brandão comprova não conseguir resistir a sua própria natureza.

Outro lamentável acontecimento desta triste crônica de deslealdades envolve o Tribunal de Contas do Maranhão, TCE. Em uma manobra estritamente familiar, o governador Carlos Brandão articulou a eleição de seu sobrinho, Daniel Brandão, para a presidência da corte. Para consumar mais esse projeto de poder, foi necessário impedir a reeleição para o cargo do conselheiro Marcelo Tavares, colega muito próximo e desde sempre apoiador Carlos Brandão na vida pública e que, entre outros cargos, foi deputado, presidente da Assembleia do Maranhão e chefe da Casa Civil. O que torna este episódio particularmente grave não é apenas a contínua apropriação dos espaços de poder pela família do governador, uma prática já escancarada nos bastidores e que domina as rodas de conversa no estado pela atuação de seu irmão, Marcus Brandão, considerado o governador de fato do Maranhão.

Marcelo Tavares é sobrinho do ex-governador José Reinaldo Tavares. Para quem tem pouca ou seletiva memória, vale lembrar como se sabe de coisas no ‘ChicoBol’: José Reinaldo foi o grande padrinho e mentor de Carlos Brandão. Foi ele o idealizador e incentivador que viabilizou a entrada de Brandão na carreira política, garantindo sua eleição para deputado federal em 2006. Acreditem, desta vez, o escorpião avançou na sua própria natureza e se voltou para atingir o seu próprio criador passando para trás um familiar seu. No início de abril, em mensagem que fiz circular, eu já propunha um alerta sobre este apagamento deliberado da própria história. Escrevi na ocasião: "Eu queria deixar aqui uma ideia para o governador Brandão refletir. A minha vida de muitas décadas e, especialmente, na política do Maranhão, me ensinaram que é fundamental cultivar sempre os velhos amigos. Mas, também, com humildade, os verdadeiros aliados e os companheiros de jornada.

Nos últimos tempos, há um bom tempo, Brandão faz exatamente o contrário. Ele vem abandonando muitos dos velhos amigos, os companheiros e os aliados de jornada. E todos eles foram fundamentais na sua trajetória na vida e na política para chegar até o cargo de governador. É tudo muito estranho. Do nada, o governador Brandão começa a se esquecer de tudo isso e vai deixando todos para trás. Esquecendo mesmo. Talvez o melhor exemplo seja o do ex-governador Zé Reinaldo, padrinho político e fiador incontestável de toda a trajetória de Carlos Brandão na vida pública. Por onde anda o Zé Reinaldo, governador Brandão? O senhor nem o nome dele sequer cita mais..." Agora já se sabe de mais outros elementos para a já conhecida resposta a essa minha reflexão, que vem de forma implacável.

Ao golpear o sobrinho de seu padrinho e criador na política Zé Reinaldo para coroar o próprio sobrinho Daniel, Carlos Brandão reforçou que a gratidão é um conceito que não habita o Palácio dos Leões. Esta atitude soma-se a uma longa lista de vítimas dessa falta de compromisso de Carlos Brandão. O governador já sumariamente abandonou a ex-governadora Roseana Sarney. Descumpriu também o pacto histórico para a sucessão em 2026, rompendo o acordo com o atual ministro do STF Flávio Dino e com o vice-governador Felipe Camarão.

Tudo isto representa uma traição direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atingiu em cheio o ex-presidente José Sarney, figura central que havia avalizado pessoalmente seu apoio no passado. Na política, assim como na travessia do rio da fábula, Carlos Brandão tem seguido à risca a sua natureza de escorpião ao trair os aliados. Pode acabar afundando tal como ele com as próprias falsas promessas. Mas voltaremos a falar novamente. E vamos trazer novos, esclarecedores e estarrecedores episódios da saga de traições e deslealdades de Carlos Brandão, fruto de suas próprias desabonadoras e equivocadas escolhas. Até lá!

*Também ex-deputado federal e assessor especial de 4 presidentes da República.


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