MARCUS BRANDÃO, O GOVERNADOR 'DE FATO' E A TERCEIRIZAÇÃO DO PODER NO MARANHÃO
Por Francisco Escórcio Ex-senador da República*
Quem acompanha os bastidores e as entranhas da
administração do nosso Maranhão tem certeza que a realidade nua e crua que se
desenha no Palácio dos Leões passa longe da figura de quem senta na cadeira
principal. O estado tem, hoje, um governador de direito e um governador
"de fato". E não precisamos de meias palavras para dar nome aos bois:
quem verdadeiramente dá as cartas no governo de Carlos Brandão é o seu irmão,
Marcus Brandão.
Marcus Brandão é o conhecido "manda-chuva". É ele
quem dita as ordens nos bastidores do governo. O que mais estarrece é que essa
concentração absoluta de poder se dá mesmo após ele ter sido afastado de cargos
estaduais por duas vezes, por decisões expressas do ministro Alexandre de
Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As canetadas da mais alta corte do país
não foram suficientes para frear seu apetite insaciável pelo poder. Incontáveis
relatos nas mais altas esferas da política maranhense dão conta que, mesmo sem
o ‘crachá oficial’, mas com a autoridade de quem manda na casa, é Marcus
Brandão quem concentra, como um verdadeiro ditador, as decisões sobre o caixa
do Estado, definindo a dedo quais fornecedores devem ou não ser pagos pelo
governo do Maranhão.
Essa anomalia administrativa nos leva a um cenário ainda
mais sombrio para o futuro próximo. A máquina pública foi loteada e aparelhada
com um objetivo claro: promover Orleans Brandão, sobrinho do atual governador
e, fundamentalmente, filho do governador 'de fato', Marcus Brandão. Orleans foi
transformado, da noite para o dia, no pré-candidato oficial do Palácio dos Leões
à sucessão do governo do estado. Precisamos dar os nomes corretos às coisas. O
que a atual administração faz é tutela política e aparelhamento de Estado para
fins de perpetuação no poder.
A eleição de Orleans em 2026 não representa renovação, nem
avanço; na prática, será a concretização da "reeleição" disfarçada de
Marcus Brandão. É a garantia de que o pai continuará governando através do filho,
asfixiando as cidades e as instituições para manter intacto o controle político
e o futuro eleitoral de um grupo familiar. Não podemos aceitar que a estrutura do Estado seja reduzida
a uma capitania hereditária.
O Maranhão é grande demais para ser sufocado por essa
dinastia. É hora de a população e as lideranças enxergarem o engodo que está
sendo gestado. A eleição que se aproxima não será apenas sobre escolher um novo
gestor, mas sobre decidir se o Maranhão continuará sendo o feudo particular de
um "manda-chuva" que opera nas sombras e ignora até mesmo as decisões
do Supremo Tribunal Federal para saciar seu projeto pessoal de poder.
*Também ex-deputado federal e assessor especial de 4
presidentes da República
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