OPINIÃO CULTURAL: ALMANDRADE
Por Almandrade
Blog de Cultura Brasileira, Política, Terceiro Setor, Música Popular Universal-MPU e Pensamento Contemporâneo
Por Almandrade
Mercado fonográfico: Novos Canais |
Folha SP |
Gravadoras Independentes diversificam atividades Independentes buscam novos negócios para ampliar faturamento O músico Chico César, dono da Chita Discos, que fez parceria com grandes gravadoras para garantir distribuição A ideia de crise no mercado fonográfico se repete como disco quebrado. Mas, enquanto lutam para aumentar a venda de CDs, as gravadoras apostam em diferentes canais para superar a estagnação. Nessa toada, a área digital (telefonia móvel e internet), as associações com anunciantes, os licenciamentos, o agenciamento e a promoção de artistas são alternativas necessárias para alcançar bons resultados. A transição é feita entre um modelo de negócio único de venda de suportes físicos e um multimodelo, destaca Paulo Rosa, presidente da ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos). O que era antes praticamente a única fonte de receita de um produtor fonográfico passa cada vez mais a dividir espaço e importância com outras fontes de receita derivada de música, acrescenta Rosa. Pequenas Nesse contexto, o espaço para as pequenas empresas vem crescendo. Na década de 1990, com a chegada das tecnologias digitais de gravação e a redução dos custos de fabricação dos CDs, surgiram centenas de gravadoras de menor porte. Até então, o mercado era constituído basicamente pelas companhias multinacionais, conhecidas como majors. Segundo a ABMI (Associação Brasileira de Música Independente), que tem 120 gravadoras associadas, há cerca de 200 gravadoras independentes no mercado, ou seja, que não estão listadas entre as majors. O papel das independentes no cenário é reconhecido pelas multinacionais. Nunca se produziu tanta música quanto hoje. Essa profusão produtiva envolve os independentes em todos os lugares do mundo, afirma Sergio Affonso, presidente da Warner Music Brasil. Segundo João Moreirão, vice-presidente da ABMI, as independentes são responsáveis por 80% da música gravada no país. Quando se fala de consumo, os números se invertem: 80% dos produtos comercializados são das majors, e só 20% das vendas correspondem às gravadoras menores. Parceria Para dar vazão aos seus produtos, um dos caminhos encontrados por pequenas foi a parceira com majors. O cantor e compositor paraibano Chico César, 45, criou seu próprio selo, que também é estúdio e editora, a Chita Discos. Uma major distribui melhor meu trabalho no mercado, conta César. Assim, ele é beneficiado com o investimento em marketing, na distribuição e na fabricação. FORMATO ÚNICO NÃO FUNCIONA Quem não se adapta à realidade do mercado não consegue se manter no ramo fonográfico. É o caso da gravadora independente Kuarup Discos. Após 31 anos no mercado, a empresa fechou as portas no final de 2008. A crise do CD é irreversível e tornou inviável nosso modelo de negócio, diz o ex-dono da Kuarup, Mario de Aratanha, 64. A empresa havia se verticalizado em direção ao disco e se afastou das outras fontes da cadeia produtiva da música, avalia. Aratanha aproveitou sua experiência no setor e investiu na CineViola, que produz DVDs musicais. VENDAS DE CDS E DVDS REGISTRAM AUMENTO ENTRE AS GRANDES Depois de três anos de retração, o mercado brasileiro de música teve um crescimento de 6,5% entre 2007 e 2008, de acordo com dados divulgados no mês passado pela ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Disco). O número engloba receitas de vendas de CDs e DVDs, além da comercialização de produtos musicais no mercado digital (telefonia móvel e internet). Foram contempladas nos dados apenas as dez gravadoras associadas à ABPD, que são cinco companhias multinacionais e cinco gravadoras independentes de grande porte. No total, o segmento musical movimentou R$ 359,9 milhões. No Brasil, as vendas de produtos físicos (CDs e DVDs musicais) apresentaram um crescimento de 4,9%, enquanto as vendas no mercado digital subiram 79,1% em 2008, na comparação com 2007. Nós somos uma companhia de música. O que está em transição são os canais de distribuição, mas o conteúdo nunca foi tão valorizado, destaca Marcelo Castello Branco, chairman da EMI Music South America e presidente da EMI Brasil. COMO OS JOVENS CONHECEM NOVAS MÚSICAS Estudo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) apontou que 32,6% dos cerca de mil jovens ouvidos em 2008 sempre conhecem música por meio da internet, em sites de download. Amigos (54,1%) e rádio (51,4%), no entanto, foram os mais citados como fontes com que sempre conhecem música nova. SEGMENTOS DIGITAIS ENGORDAM A RECEITA Telefonia móvel e sites são canais para distribuição O segmento da música digital representou 12% do mercado fonográfico em 2008. Dessa fatia, 78% (R$ 33 milhões) vieram da telefonia móvel, e 22% (R$ 9,68 milhões), da internet, de acordo com a ABPD. Artistas, gravadoras e editoras precisam de um formato de música que funcione no maior número possível de aparelhos, orienta Marinilda Boulay, pesquisadora e organizadora das publicações Guia do Mercado Brasileiro de Música e Música: Cultura em Movimento. A Trama criou sua fórmula para ampliar o número de fontes de receita. Além de fazer produção de shows, programas de rádio e de televisão, música para videogame, álbuns virtuais e CDs, a gravadora tem estúdio e editora. Com o patrocínio de anunciantes, é gerado faturamento nos álbuns virtuais, conta João Marcello Bôscoli, 38, fundador da Trama. CELULAR Por ser um setor em que os downloads são mais facilmente controlados, a telefonia móvel é hoje responsável pela maior fatia do faturamento no mercado digital da música. A Takenet, que licencia e disponibiliza conteúdos musicais para celulares e atua com as principais operadoras do país, tem cerca de 200 contratos com gravadoras independentes, de acordo com Juliano Braz, diretor de operações. O faturamento com os ringtones pode ultrapassar R$ 100 mil por ano para independentes, aponta Braz. O iMusica, empresa de gerenciamento de música digital, tem um acervo de 3 milhões de faixas, das quais 2 milhões são de gravadoras independentes. Com um CD entregue pela gravadora, distribuímos para cerca de 200 serviços no Brasil e no mundo, afirma o presidente, Felippe Llerena. Em média, 80% do lucro é repassado para as gravadoras. O iMusica fica com 20%. O MySpace, site que reúne 170 mil artistas brasileiros, deve criar, até o final do ano, um mecanismo de venda de faixas musicais. Serve como popularização do artista e marketing e traz outros benefícios subsequentes, como a remuneração pelo direito autoral, explica Emerson Calegaretti, presidente do MySpace no Brasil. |
Otto Maria Carpeaux e a crítica literária para um Brasil indiferente''A relevância da obra ensaística do crítico Otto Maria Carpeaux para cultura universal e, especialmente a brasileira, é, irrefutavelmente, uma sentença ao advento do...''
Fernando
Atallaia foi repórter-correspondente dos jornais Tribuna do Nordeste, Extra, A Tribuna
e A Tarde entre os anos 2004 e 2013 em São José de Ribamar. Editor de Cultura da extinta
revista Caminhos do Maranhão, foi colunista dos Jornais Portal do Maranhão,
Tribuna Popular Luminense, A Tarde e Jornal Pequeno (Suplemento JP Turismo).
Atualmente é o Editor-Chefe e Publisher do blog oficial da Agência de Notícias
Baluarte-ANB Online. Além de jornalista, é cantor, compositor, músico e poeta.
Prêmio Estadual de Poesia do ano 2001 da Universidade Federal do Maranhão-UFMA,
Fernando Atallaia tem 19 livros inéditos, dentre os quais se destaca o denso
Ode Triste para Amores Inacabados.
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O plano de apoio à produção fonográfica instituído em 2004 pela Secretária de Estado da Cultura, teve a grata surpresa de receber dentre os trabalhos musicais inscritos, o Projeto Festiveiros. Misto de coletânea e pesquisa, Festiveiros reúne os principais compositores maranhenses da década de 90, em uma proposta cultural que vai além do seguimento estritamente musical.
Para o músico e produtor Fernando Atallaia, Festiveiros representa o preenchimento de uma lacuna em todo o contexto artístico voltado para a música no Estado. “Não existe nem um tipo de mapeamento da produção fonográfica ultimamente neste Estado. Ou melhor, nunca teve. Salvo raríssimas exceções de alguns órgãos e instituições, como é o caso do Itaú cultural, e de produtores independentes. É uma vergonha. O que eu e Well fizemos não é necessariamente uma obrigação nossa. A obrigação é o Estado. Isso mostra que a Secretaria de Estado da Cultura não tem competência para dar visibilidade para os nossos artistas e nem tem noção do fenômeno da continuidade”, desabafou Atallaia.
Gravado no estúdio Sotaque, o disco teve produção musical assinada pelos músicos participantes, e objetivou mostrar a diversidade e a poesia de artistas da mais recente geração da Música Popular Brasileira no Maranhão. Participaram das gravações os produtores Marquinhos Lussaray e Chico Newman, além de Erivaldo Gomes. Festiveiros ainda não teve prensagem definida, aguardando desta forma investimento para a prensagem dos exemplares a serem distribuídos a nível estadual.
Para Well Matos co-produtor do projeto, os nomes mais significativos da música maranhense nesse momento estão congregados em uma álbum que reage contra a atual condição de lamúria porque passa a MPM. “Esperamos que o público ouça e dê o seu juízo acerca dessa iniciativa, que visa sobre tudo a contemplação de todo um conjunto de vozes artísticas”, afirmou.
Artistas comprometidos com o debate cultural da atualidade analisam o contexto da produção musical.
Fábio Allex
Do Projeto Na Prática
A Música Popular Maranhense é reconhecida como diversificada e de qualidade. Mas nos últimos anos,os espaços para renovar uma geração de cantores, compositores, instrumentistas, estão cada vez mais escassos. Dos famosos festivais que embalaram gerações, poucos sobreviveram e outros começaram a aparecer. O Fesmap (Festival de Música de Pinheiro), UNIREGGAE (Festival Universitário de Reggae) e Festival Pedreirense de Música Popular são alguns exemplos.
Cantor e autor de mais de 200 canções, Fernando Atallaia é um dos representantes mais promitentes de uma leva de compositores surgida no final da década de 1990. Para ele, a valorização um contexto musical limitado resulta desfavoravelmente para o novo processo artístico cultural.
“Muitos podem justificar dizendo que isso é assim mesmo, é MPM. Só que isso é um engodo, porque não existe essa Música Popular Maranhense. Nas décadas de 70, 80 e 90 quase ninguém emplacou.
Só a partir de 1997 começou a aparecer uma geração de bons letristas, intérpretes mais conectados, mais sensíveis”, aponta o compositor, que mesmo sem estar nas mídias, gradativamente, vai colecionando admiração e respeito de artistas, críticos e do público que comparece em suas apresentações. A cantora e compositora Célia Leite em entrevista concedida ao O IMPARCIAL em junho de 2002, o citou como um dos nomes mais importantes da música maranhense atual. Eduardo Júlio, jornalista e poeta, também já fez boa referência a ele em suas matérias culturais, sobre a sua contribuição para a música vigente.
Imortalizada pela Academia Maranhense de Letras, a escritora Lucy Teixeira (falecida em 2007), ressaltou o talento do artista durante a participação dele no 14º Festival Maranhense de Poesia, em 2000. “Bela e sensível.
Poesia de profundidade ímpar para a sua geração”, elogiou entusiasmada. Nessa oportunidade, Fernando Atallaia obteve a 2ª colocação com a poesia A Casa: “A casa sobre o chão me desperta asas para um voo tênue/ A fragilidade do concreto sobre a casa, nada tem de frágil/ O que escorrega entre os telhados se esvai em quartos para fora/ E o que sustenta, flora/ não projeta muros para dentro/ Tenho de pedra, as mãos e a fala presa às paredes/ A casa é fortaleza para pele/ E eu, de rudimentar, tenho os ossos na poeira.”
REPORTAGEM DO SITE E JORNAL O IMPARCIAL
http://www.oimparcialonline.com.br/noticias.php?id=20923
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